CÁRIE DENTÁRIA

A CÁRIE DENTÁRIA
Presente na vida do ser humano há milhares de anos, a cárie dentária ou cárie dental caracteriza-se, normalmente, por dor e desconforto, por um escurecimento da região acometida do dente e por perda de partes de sua estrutura.
Entretanto, em seu estágio inicial a cárie consiste em um quadro bem mais sutil, marcado por eventos microscópicos que não provocam qualquer tipo de sintoma, levando, no máximo, a uma descoloração do esmalte, estrutura mais dura do corpo humano e que reveste as coroas dos dentes. Interessante considerar que nesta fase precoce de evolução, a cárie, representada apenas por uma lesão de MANCHA BRANCA, pode ser parcial ou totalmente revertida para a condição de normalidade, antes que danos mais graves possam ocorrer à estrutura dentária.
Para a compreensão básica da doença cárie dentária, devemos considerar três importantes aspectos: (1) a dieta; (2) a higiene bucal; (3) o volume e a capacidade tampão da saliva.
A dieta
Alimentos ricos em açúcares têm importante participação no aparecimento das cáries, sendo, portanto, chamados de cariogênicos. O açúcar industrializado é o mais danoso, especialmente quando associado aos farináceos, que favorecem a adesão à superfície dos dentes e dificultam a higienização. As bolachas e os biscoitos recheados são exemplos clássicos de alimentos pegajosos e altamente cariogênicos. Assim, as bactérias naturalmente presentes na boca, metabolizando os restos alimentares, levarão a um processo de descalcificação do esmalte, que é a estrutura mais dura do corpo humano e que reveste as coroas de todos os dentes.
Desta forma, o primeiro grande passo para evitar o aparecimento da cárie dentária consiste no controle da dieta, notadamente no consumo mais regrado de alimentos açucarados. Além da importância para a saúde bucal, o controle da ingestão de açúcares traz também benefícios para a condição geral do nosso organismo.
A higiene bucal
Com base nas considerações acima, é possível perceber que a remoção dos resíduos alimentares configura-se como o segundo grande passo para evitarmos o aparecimento da cárie dentária. Há estudos que comprovam que 5 minutos após o consumo de um alimento contendo açúcar, o pH* bucal pode cair de 5,5 (valor considerado médio) para, aproximadamente, 4,5. Neste nível de acidez, o esmalte dental perde grandes quantidades de cálcio para o meio bucal, o que caracteriza o quadro conhecido como DESMINERALIZAÇÃO. Interessante salientar que este processo inicial de descalcificação apresenta grande potencial de reversibilidade, o que vale dizer que uma boa higienização eliminará os restos alimentares e provocará uma elevação do pH bucal com consequente “retorno” dos íons cálcio para a estrutura do esmalte. Este fenômeno é chamdo de REMINERALIZAÇÃO.  Esta ativa  alternância entre perda e  ganho de íons cálcio pelo esmalte é conhecida, por sua vez, como o processo de EQUILÍBRIO DINÂMICO.
Pelo exposto, portanto, compreende-se que longos períodos de higienização bucal deficiente farão a DESMINERALIZAÇÃO prevalecer sobre a REMINERALIZAÇÃO, resultando em início de prejuízo para a estrutura do esmalte e consequente aparecimento das relatadas MANCHAS BRANCAS. Fato interessante é que este início de desorganização do esmalte acontece na sub-superfície, fenômeno que explica o fato de não haver cavidades em estágios iniciais da cárie, uma vez que a superfície ainda encontra-se íntegra e lisa, apesar da perda da coloração natural. O estágio seguinte deste processo será o colapso da estrutura sub-superficial com o consequente rompimento da camada mais externa. A partir da ocorrência da cavitação, inicia-se o aparecimento de manchas marrons e o subsequente aparecimento das dores, sinal inequívoco que a cárie já começa a atingir a dentina, estrutura que se localiza abaixo do esmalte e é bastante permeável, apresentando ligações com a polpa dentária, popularmente conhecida como “nervo” do dente.
O volume e a capacidade tampão da saliva
Dependendo do seu volume e da sua capacidade de neutralizar o pH bucal – característica esta conhecida como capacidade tampão – a saliva pode proporcionar um processo natural de “higienização”. Explica-se: um volume salivar aumentado ajuda a “lavar” os restos alimentares e também a reduzir a concentração dos ácidos produzidos pelas bactérias. A capacidade tampão, por sua vez, refere-se à capacidade que tem a saliva, dependendo de sua composição, de auxiliar a elevação do pH, tornando o meio bucal menos ácido e, portanto, menos cariogênico.
A intensidade dos dois fenômenos citados varia de indivíduo para indivíduo e NÃO DISPENSAM os cuidados citados nos ítens (1) e (2). Consumir alimentos açucarados moderadamente, bem como evitar lambiscar várias vezes ao dia, e manter um critério de uso correto do fio dental e da escovação após cada ingestão alimentar são atitudes essenciais para a manutenção de uma boa saúde bucal.
Interessante ressaltar que o consumo noturno de alimentos reveste-se de especial importância, uma vez que durante o sono a produção de saliva é reduzida, perdendo-se então os fatores de proteção natural citados anteriormente. Desta forma, a última higiene bucal antes de dormir tem grande relevância para a manutenção de dentes saudáveis e de gengivas livres de inflamação. As frutas, além de muito saudáveis, são alimentos menos cariogênicos por conterem açúcares em seu estado natural, o que as tornam excelentes alternativas para lanches rápidos durante o dia bem como para a última refeição noturna.

* Em físico-química, o pH indica a acidez ou basicidade de uma solução aquosa. No nosso caso, da saliva ou do meio bucal. Soluções com pH menor que 7 são ácidas e com pH maior que 7, básicas ou alcalinas.

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